Uma semana de setembro em Rouen. Não lembro exatamente quantas vezes já visitei esta cidade francesa. Mas, tenho duas certezas: a primeira visita foi em janeiro de 2018 e fui lá menos do que gostaria. Rouen é a maior cidade da Normandia, conta com uma rica história medieval e está próxima a Paris (cerca de 110 km de distância — menos de 1h30 de trem).
Fiquei numa casa na Rue Louis Malliot, 4, perto da estação central de trem de Rouen. O excelente anfitrião, receptividade exemplar, Alceu, está em um pos-doc que finalizará em dezembro. Ficamos lá, eu, Alceu e Luiz que chegou um dia depois de mim, tão objetivo quanto uma segunda-feira.
Rotina. Pela manhã: Je voudrais un croissant, un pain au chocolat, un pain aux raisins et un café, s’il vous plaît (foi “apenas” uma semana nesse regime). Depois, partida da Gare Beauvoisine até a Gare Technopôle (em frente ao campus da universidade na cidade de Saint-Étienne-du-Rouvray). Reuniões, discussões e apresentações até o final da tarde na universidade nesse último ano de Laurent Heutte como diretor do Litis.

Coincidências: lá na universidade encontrei Rafael Holanda (aluno de Carmelo) que iniciava naquela semana um período sanduíche do seu doutorado com Fannia. Mais uma: Flavio (Arthur), professor do CIn, e sua esposa faziam uma visita científica a convite do professor Alessandro Leite no INSA/Rouen na mesma semana. Small world, indeed!



Desta vez, pouca chuva — na realidade só choveu em um dia —, temperatura agradável e em alguns dias, ficou até quente com céu azul.
Misto de sensações ao tomar uma cerveja ambrée em uma cervejaria artesanal instalada dentre de uma antiga, bela e grande igreja que foi desacralizada em 2017 pela Igreja Católica. Essa era a antiga Igreja de Saint-Nicaise e teve suas origens no século VII; fundada em 640 como capela.
Andar pelas ruas de Rouen é um deleite para os olhos. Por momentos somos transportados para o passado guiado pelas construções características da Normandia que usam a técnica enxaimel; casas com madeira aparente. Em algumas dessas construções vê-se que a base é mais estreita do que a parte superior (maisons à encorbellement). Esta discrepância era proposital, pois calculava-se o imposto da propriedade pela área ocupada no solo.



Na sexta, o espetáculo de luzes (Cathédrale de Lumière) na Catedral de Rouen, finalizou com maestria o último dia da minha visita. As pessoas aglomeram-se ordeiramente e silenciosamente a frente da catedral do século 12 para apreciar um show de imagens às 21h30.


Voltando de Rouen, passando pela Gare Saint-Lazare e chegando a Gare du Nord em Paris, escuto, ao longe, um som harmônico e, ao chegar no hall central da estação, encontro uma orquestra com mais de vinte músicos com instrumentos de sopro. Fico mais de vinte minutos apreciando o concerto. E não estou sozinho, muitos que estão chegando ou partindo param para contemplar. Não é mais do mesmo. Muito pelo contrário. Mas, deveria ser algo menos raro? Torço que sim!
Merci à tous!
