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Cuiabá-MT (Bracis’2026)

Calor, muito calor! A capital do estado de Mato Grosso sediou o principal evento de inteligência artificial (IA) do país. Momento de encontrar a comunidade brasileira de IA e de conhecer novos integrantes. A comunidade cresceu e trouxe consigo novas oportunidades e novos entusiastas. Este crescimento é saudável, mas traz alguns transtornos. Embora todos esperassem um aumento no número de participantes devido à atração de pesquisadores de outras áreas que estão usando IA, a realidade foi maior do que a expectativa e a coordenação do evento ficou obrigada a limitar o número de inscrições, pois o local não suportava mais do que mil participantes. Grande desafio para os organizadores do Bracis 2027 que será em Porto Alegre.

Além do Bracis, O Unisenai em Cuiabá recebeu outros eventos que ocorreram em conjunto (Eniac, Stil, Kdmile, Wesaac e Ctdiac) na semana de 19/outubro.

Apresentei no Bracis o seguinte trabalho que foi desenvolvido por Cynthia em seu pós-doutorado no INCT NeuroComp:

Cynthia Moreira Maia, Lucas B. V. de Amorim, Rafael M. O. Cruz, George D. C. Cavalcanti. Multi-label Meta-learning for Pipeline Recommendation: The Importance of Pipeline Diversity

Embora tivesse feito a inscrição no evento, comprado a passagem aérea e reservado o hotel, Cynthia não conseguiu participar do evento pois estava realizando a segunda etapa do concurso para docente no CIn no mesmo dia da apresentação do seu artigo. A excelente notícia é que essa ausência foi mega proveitosa: Cynthia passou em segundo lugar no concurso. Parabéns e seja bem-vinda!

A culinária é um atrativo da cidade — bastante peixe de rio (a cidade é cortada pelo Rio Cuiabá). Ao degustar peixes locais no Restaurante Lélis, aproveitei para aumentar o vocabulário (vide foto). A palavra é “digoreste” e significa: ótimo, bom, exímio.

Além de “digoreste”, um mural no restaurante apresentava outras palavras que desconhecia e isso faz-me refletir sobre a dificuldade em construir máquina que “se comunicam”. O Brasil é imenso, contexto importa, regionalismos trazem riquezas e desafios que não devem ser negligenciados. Se queremos construir máquinas mais completas, detalhes importantes como estes precisam de espaço.

Foi nessa semana que atingi dois marcos quando observamos a numerologia do googleScholar, h-index de 40 e mais de 7000  citações. É muito, é pouco? Não importa! A recompensa maior é ver que o trabalho realizado está influenciando e servindo de gatilho para que outros pesquisadores avancem em suas formações e, por consequência, avancem o conhecimento. Essa influência, que vai muito além da numerologia, fica mais transparente em um evento científico no qual encontramos e conversamos com outros pesquisadores, sejam eles experientes ou novatos. Dos objetivos de uma congresso, a integração da comunidade científica é sem dúvida um destaque que ainda não pode ser alcançado com estratégias virtuais e remotas. Será que temos alternativas mais interessantes? Enquanto não materializamos algo melhor, sugiro que participemos de reuniões científicas semelhantes a esta.

A diversidade é imperativa! No Bracis, conversei com gente do RS, PR, SP, RJ, MG, ES, BA, SE, PB, AL, RN, CE, GO, PA, AM, MT, MS (minha memória certamente falhou e a lista deve ser maior), várias universidades, vários sotaques, um só país — lembrança incidental: estamos a poucos dias do segundo turno das eleições para presidente.

Torço que o evento continue sólido e que consiga atrair a próxima geração. Para isso, precisamos ter um olhar especial para os mais novos. Que eles descubram os encantos da área de IA e que os eventos promovam a próxima geração!

Rouen, França (missão científica, 2026)

Uma semana de setembro em Rouen. Não lembro exatamente quantas vezes já visitei esta cidade francesa. Mas, tenho duas certezas: a primeira visita foi em janeiro de 2018 e fui lá menos do que gostaria. Rouen é a maior cidade da Normandia, conta com uma rica história medieval e está próxima a Paris (cerca de 110 km de distância — menos de 1h30 de trem).

Fiquei numa casa na Rue Louis Malliot, 4, perto da estação central de trem de Rouen. O excelente anfitrião, receptividade exemplar, Alceu, está em um pos-doc que finalizará em dezembro. Ficamos lá, eu, Alceu e Luiz que chegou um dia depois de mim, tão objetivo quanto uma segunda-feira.

Rotina. Pela manhã: Je voudrais un croissant, un pain au chocolat, un pain aux raisins et un café, s’il vous plaît (foi “apenas” uma semana nesse regime). Depois, partida da Gare Beauvoisine até a Gare Technopôle (em frente ao campus da universidade na cidade de Saint-Étienne-du-Rouvray). Reuniões, discussões e apresentações até o final da tarde na universidade nesse último ano de Laurent Heutte como diretor do Litis.

Coincidências: lá na universidade encontrei Rafael Holanda (aluno de Carmelo) que iniciava naquela semana um período sanduíche do seu doutorado com Fannia. Mais uma: Flavio (Arthur), professor do CIn, e sua esposa faziam uma visita científica a convite do professor Alessandro Leite no INSA/Rouen na mesma semana. Small world, indeed!

Reunião em Honfleur

Desta vez, pouca chuva — na realidade só choveu em um dia —, temperatura agradável e em alguns dias, ficou até quente com céu azul.

Misto de sensações ao tomar uma cerveja ambrée em uma cervejaria artesanal instalada em uma antiga, bela e grande igreja que foi desacralizada em 2017 pela Igreja Católica. Essa era a antiga Igreja de Saint-Nicaise e teve suas origens no século VII; fundada em 640 como capela.

Andar pelas ruas de Rouen é um deleite para os olhos. Por momentos somos transportados para o passado guiado pelas construções características da Normandia que usam a técnica enxaimel; casas com madeira aparente. Em algumas dessas construções, vê-se que a base é mais estreita do que a parte superior (maisons à encorbellement). Esta discrepância era proposital, pois calculava-se o imposto da propriedade pela área ocupada no solo.

Na sexta, o espetáculo de luzes (Cathédrale de Lumière) na Catedral de Rouen, finalizou com maestria o último dia da minha visita. As pessoas aglomeram-se ordeira e silenciosamente à frente da catedral do século 12 para apreciar um show de imagens às 21h30.

Voltando de Rouen, passando pela Gare Saint-Lazare e chegando a Gare du Nord em Paris, escuto, ao longe, um som harmônico e, ao chegar no hall central da estação, encontro uma orquestra com mais de vinte músicos tocando instrumentos de sopro. Fico mais de vinte minutos apreciando o concerto. E não estou sozinho, muitos que estão chegando ou partindo param e contemplam. Não é mais do mesmo. Muito pelo contrário. Mas, deveria ser algo menos raro? Torço que sim!

Merci à tous!

Defesa de Tese — Ingryd

Hoje, 26 de agosto de 2025, ocorreu a defesa de tese de Ingryd Vanessa, com o título Detecção de fake news utilizando multi-view autoencoders. 

2025 defensa de tese de Ingryd

A tese propõe estratégias para fundir diferentes formas de representar texto usando autoencoders.  Ingryd propõe a adição de um componente supervisionado na função de loss do multi-view autoencoder com o intuito de gerar uma representação final mais acurada, tendo em vista que os rótulos das classes são usadas no processo de treinamento para a geração do embedding combinado. 

Esta foi a defesa de doutorado número de 675 do Centro de Informática da UFPE. E ocorreu exatamente um ano após a defesa de Juscimara (número 636) que agora é professora do CIn. Tsang e Alceu compartilharam a banca dessas minhas duas alunas. A coincidência de datas foi puro acaso!

Ingryd foi bastante resiliente ao longo do doutorado. Esta jornada começou antes da pandemia (2019), passou por todas as fases da pandemia e teve seu desfecho em um momento em que muitos já esqueceram que tivemos uma pandemia recente. Foram muitos os percalços, desafios que foram além da dificuldade inerente de um doutoramento. Esteja orgulhosa do seu caminhar, das batalhas vencidas. Os altos e baixos do processo, sejam do ponto de vista pessoal ou de pesquisa, tonaram você uma pessoa mais resiliente e uma pesquisadora mais madura. Sucesso nos próximos passos.

Parte das contribuições da tese foram publicados no seguinte artigo:

Ingryd V. S. T. Pereira, George D. C. Cavalcanti, Rafael M. O. Cruz. Multi-view autoencoders for Fake News Detection. IEEE Symposium Series on Computational Intelligence (SSCI), Trondheim, Noruega, 2025.

Mais detalhes sobre esse artigo podem sem encontrados neste link.

Agradeço ao prof. Rafael Cruz que foi o co-supervisor de Ingryd nesses anos de doutorado e a banca formada pelos professores:

— Tsang Ing Ren (CIn-UFPE)
— Adiel Filho (CIn-UFPE)
— Maira Araujo de Santana (CIn-UFPE)
— Alceu de Souza Britto Jr (PUC-PR)
— Rafael Ferreira Leite de Mello (UFRPE)

Roma, Itália (IJCNN’2025)

O Internacional Joint Conference on Neural Network (IJCNN) ocorreu na histórica cidade de Roma, Itália, de 30/junho a 5/julho com o tema All Neural Network roads lead to Rome. Este ano, o IJCNN recebeu 5526 artigos, dos quais 38% foram selecionados para serem apresentados durante o evento nos formatos oral e pôster. 

Da esquerda para a direita: eu, Rafael, Lucas e Cynthia.

O evento ocorreu na Pontificia Università Gregoriana que é uma universidade jesuíta da igreja católica, localizada no centro da cidade, na Piazza della Pilotta. Esta praça, a poucos passos da Fontana di Trevi, está localizada na encosta do monte Quirinal, a mais alta das sete colinas de Roma.

A história por trás do nome da universidade é a seguinte: em 1551, foi fundada a “Escola de Gramática e Doutrina Cristã”, por desejo de Santo Inácio de Loyola. Poucos anos depois, em 1567, o Papa Paulo V elevou a escola à categoria de universidade. Devido ao crescente número de estudantes, o Papa Gregório XIII a transferiu para um novo local construído para esse fim e, em 1584, a universidade adotou o nome de “Gregoriana” para homenagear o Pontífice.

Participar de um congresso é sempre um prazer. Mas, o sentimento que comumente aflora, durante e após o evento, faz-me perceber que preciso ler tanta coisa e isso causa uma certa dose de desconforto. Pois, essas novas e necessárias leituras, se juntam a tantas outras que ainda não consegui absorver de outros eventos e de buscas anteriores. E, nesse evento, o sentimento não foi diferente. Manter-se atualizado perante o estado da arte da área é uma necessidade e um grande desafio.

Fui co-autor de dois artigos, frutos do trabalho de meus alunos de doutorado.  Fiquei bastante feliz que eles (Cynthia e Lucas) conseguiram participar do evento e ter a experiência de apresentar seus trabalhos e vivenciar o evento. Os trabalhos foram:

— Cynthia Moreira Maia, Lucas B. V. de Amorim, George D. C. Cavalcanti, Rafael M. O. Cruz. “ PIPES: A Meta-dataset of Machine Learning Pipelines”. 

O artigo apresenta uma meta-base de dados, ou seja, uma coleção de experimentos (chamada PIPES) que contém múltiplos pipelines projetados para representar todas as combinações dos conjuntos de técnicas selecionados, visando diversidade e completude. O PIPES visa superar as limitações observadas no OpenML e fornecer uma coleção mais completa de pipelines e de resultados desses pipelines quando aplicados a diversos conjuntos de dados, facilitando a pesquisa em aprendizagem de máquina e em meta-aprendizagem.

— Lucas B. V. de Amorim, George D. C. Cavalcanti, Rafael M. O. Cruz. Meta-Scaler: A Meta-Learning Framework for the Selection of Scaling Techniques.

O IJCNN possui um track de journal-to-event que seleciona artigos publicados em um conjunto seleto de revistas para serem apresentados no evento. Este foi o caso desse nosso artigo publicado no IEEE Transaction on Neural Network and Learning System e apresentado no IJCNN. 


Clichê, mas não menos verdadeiro: Roma é realmente um museu a céu aberto. Ruínas, igrejas, monumentos, e poucas árvores, ou quase nenhuma. Quente, muito quente… não lembro de ter sentido um calor tão intenso durante toda uma semana em Recife. Lembre-se: sou nordestino. Estava realmente muito quente e minha mente dizia: continue andando e bebendo água.

Pasta, gelato e espresso. Sim, mesmo neste calor, não deixei de apreciar vários espressos italianos. Por que o espresso deles é tão melhor do que os outros? Como eles conseguem, tão naturalmente, tirar um espresso tão bom? Não sei a resposta, mas o apreciei o quanto pude.

Seria justo comparar com outras cidades? Independente da resposta, mesmo sabendo do prazer que sinto ao escutar italiano nas ruas e da pasta, tenho um sentimento que, de alguma forma, coloco Paris em outro patamar. Roma é mais antiga e se apresenta mais antiga. A história açoita o olhar em cada rua, cada esquina. Ruas antigas desafiam a modernidade com carros, motos e ônibus que pulsam, como era de se esperar para uma metrópole, e disputam espaço com moradores e muitos turistas. As calçadas de Paris são mais largas; mas, não menos lotadas. Roma and Paris are really walkable cities. E é assim que deve-se conhecê-las: andando. Desta vez, foram mais de 100km caminhados dentro do Aurelian Walls.

Defesa de Tese — Lucas Amorim

No dia 18 de fevereiro de 2025, Lucas Amorim defendeu seu doutorado com o título: Meta-scaler+: a meta-learning based solution for model-specific
recommendations of scaling techniques
.

As principais contribuições do seu trabalho foram: i) uma avaliação empírica de métodos de scaling (a.k.a normalização); ii) proposta do Meta-scaler, um framework para a seleção do melhor método de scaling e, iii) o aprimoramento do Meta-scaler com a introdução de um “espaço de classificadores” para que seja possível recomendar métodos de scaling mesmo para classificadores ausentes no treinamento do framework.

Lucas teve a oportunidade de fazer um doutorado sanduíche na École de Technologie Supérieure (ÉTS), em Montreal-Canadá, sob a orientação do prof. Rafael Cruz. Agradeço Rafael não só por receber Lucas em Montreal, mas também por aceitar ser o co-orientador e pelas inúmeras ideias brilhantes durante nossa colaboração.

Lucas é professor da UFAL e iniciou o doutorado na pandemia. Curioso o fato de ele ter se reunido presencialmente com seu co-orientador (em Montreal) antes da primeira reunião presencial comigo em Recife. Pandemic rules!

Quem quiser saber mais sobre as duas primeiras contribuições (i e ii) do trabalho de Lucas, sugiro a leituras desses dois artigos:

Lucas B.V. de Amorim, George D.C. Cavalcanti, Rafael M.O. Cruz. The choice of scaling technique matters for classification performance. Applied Soft Computing, 2023.

Lucas B.V. Amorim, George D.C. Cavalcanti, Rafael M.O. Cruz. Meta-Scaler: A Meta-Learning Framework for the Selection of Scaling Techniques. IEEE Transactions on Neural Networks and Learning Systems, 2025.

Orgulhoso do trabalho final que abriu portas para muitas outras pesquisas relevantes, desafiados e interessante!

A defesa ocorreu presencialmente no Centro de Informática, embora alguns membros da banca participaram remotamente (Carlos Soares e Luís Garcia estão ausentes da foto ao final da banca). A banca foi composta pelos seguintes excelentes pesquisadores:

Viana do Castelo, Portugal (EPIA’2024)

O Encontro Português de Inteligência Artificial (EPIA) ocorreu de 3 a 6 de setembro no Instituto Politécnico da cidade de Viana do Castelo.

Neste evento, apresentei o artigo Cervical Cancer Detection in Pap Smear Images, fruto do trabalho de graduação em Ciência da Computação de Pedro Didier, sob orientação do prof. Tsang Ing Ren.

No alto do Monte de Santa Luzia, destaca-se Santuário Diocesano do Sagrado Coração de Jesus, cuja arquitetura foi inspirada na Basílica de Sacré Cœur, em Paris. Do monte, tem-se uma bale vista da cidade de Viana do Castelo e do oceano Atlântico.

Fiquei hospedado no belo Hotel AP Dona Aninhas, com vista para o Chafariz de Mercúrio.

A cidade de Viana do Castelo é bastante pacata e seu centro histórico é bem cuidado, apresentando belas vistas do casario antigo e de construções históricas.

Porto & Vila Nova de Gaia

Meu voo foi para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, localizado a 12km do centro da cidade de Porto e a, aproximadamente, 70km de Viana do Castelo.

Ponte de D. Luís I, ligando Porto a Vila Nova de Gaia

Braga

O espetacular Santuário de Bom Jesus do Monte é um patrimônio mundial pela unesco e fica localizado na cidade de Braga. Em sua bela um estaria, percorre-se a Via Sacra do Bom Jesus.

Braga já possui mais de dois milênios de história que se iniciou na Roma Antiga, quando foi fundada por volta de 14a.C. Ela é conhecida como “Capital do Minho” por estar localizada no centro desta província e abriga um dos pólos da Universidade do Minho.

Barcelos

Barcelos possui vários pontos históricos. Entre eles, a foto a seguir mostra uma ponte medieval que liga Barcelos a Barcelinhos e é uma construção em estilo gótico que foi erguida entre 1325 e 1330, servindo como passagem para os peregrinos que fazem o Caminho de Santiago de Compostela.

Outros pontos históricos de destaque são: as ruínas do Paço dos Condes de Barcelos, um palácio gótico do século 15, o campo da República que possui um chafariz do século 17 e os Jardins de Barcelos (figura a seguir).

Nas imagens acima e abaixo, percebe-se um galo, o Galo de Barcelos, que se materializou depois da uma lenda medieval (A lenda do Galo de Barcelos).

Cruzeiro medieval da Lenda do Galo, a mais antiga representação desta lenda, com o galo sob Cristo crucificado, localizado junto às ruínas do Paço dos Condes de Barcelos

Vigo

A fortaleza Castro, localizada no Parque Monte do Castro, foi construída em 1665 pelos espanhóis e possui uma bela vista da cidade e de sua ria (ria é uma entrada de rio no mar).

Honolulu, Hawaii (SMC’2023)

Aloha, Hawaii!

A IEEE Conference on Systems, Man, and Cybernetics (SMC) estava programada para ocorrer na ilha de Maui, em outubro. Mas, um incêndio de imensas proporções atingiu a ilha em agosto/2023, destruindo várias casas, comércios e diversas instalações; e, mais devastador, ceifando quase cem vidas. 

Assim, pouco antes da data de início do SMC, aproximadamente com um mês de antecedência, os organizadores decidiram mudar o lugar do evento para o hotel Sheraton Waikiki, na ilha de Oahu, Honolulu. Esta mudança trouxe transtornos para todos os envolvidos e, no meu caso, a passagem aérea já tinha sido adquirida para Maui. Logo, pousaria na ilha errada. 

O evento deste ano recebeu 1.400 submissões (de 43 países) e teve uma taxa de aceitação de 56%. Quase metade dos artigos, mais precisamente, 350, foram apresentados de maneira virtual (ou seja, a mudança do local do evento impactou muitos dos participantes).

Apresentei o artigo A post-selection algorithm for improving dynamic ensemble selection methods que foi desenvolvido em parceria com Rafael Cruz (ETS, Canadá) e Paulo Roger (aluno de doutorado no CIn-UFPE). Este artigo propõe uma abordagem que seleciona on-the-fly a melhor técnica de Dynamic Selection (DS) por instância de teste. Logo, o artigo tem o objetivo de endereçar a seguinte pergunta de pesquisa: como escolher a melhor técnica de DS por instância de teste? Esta pergunta leva a uma reflexão sobre se precisamos de mais e novas técnicas de DS ou se as técnicas de DS existentes já seriam suficientes para se obter uma boa precisão global do sistema. O artigo conclui que as técnicas que DS são complementares e que o framework proposto é capaz de melhorar a precisão do sistema quando comparada à cada uma das técnicas de DS isoladamente.

A ilha de Oahu é a terceira maior ilha do Havaí; mas, é pequena. A maior distância entre dois pontos da ilha é de, aproximadamente, 70 km. Por outro lado, esta é a ilha mais populosa do Havaí com um milhão de habitantes.

Marcas do sete de dezembro de 1941 estão expostas e tem um papel educador marcante. Nesta data, antes das oito horas da manhã, a Baía de Pearl Harbor foi atacada pelos japoneses em plena segunda guerra mundial. Esta baía, a oeste de Honolulu, foi pega de surpresa e os danos foram expressivos. 

Vários navios, aeronaves e diversos equipamentos e instalações sofreram danos ou foram completamente destruídos. Desastrosa a perda de mais de duas mil vidas, neste fatídico evento que durou menos de oitenta minutos. 

Dos oito navios de batalha ancorados na baía, quatro foram afundados. Sobre os destroços do USS Arizona foi construído um memorial que pode ser acessado de barco a partir do centro de visitação de Pearl Harbor. 

As praias do North Shore sāo uma meca para os surfistas. Oferecem ondas perfeitas que atraem surfistas do todo o mundo. Waimea Bay, Shark’s Cove, Banzai Pipeline e Sunset Beach sāo pontos para aproveitar não só o visual deslumbrante mas também as águas do pacífico. Cuidado: as ondas enormes de Pipeline quebram em águas rasas sobre um recife afiado e cavernoso e são conhecidas por sua letalidade.

Para os amantes de café, vale a pena experimentar o Kona café. Ele é produzido apensa no Havaí, de maneira artesanal e é cultivado em solo vulcânico. Adianto que, dado esses atributos, não é um café barato.

O farol de Makapu’u localiza-se no ponto mais oriental da ilha e foi construído em 1909. Com 14 metros de altura, este farol possui a maior lente dentre os faróis dos Estados Unidos. A trilha (3,2 km, ida e volta; com 150 metros de elevação) que leva ao farol oferta uma vista espetacular da costa e da cratera do vulcão Koko. 

Luiz (UFPR), Rafael (ETS, Canadá), Tsang (UFPE), George (UFPE) e Paulo (UFPR)

O Diamond Head é uma cratera de um vulcão cuja visita precisa ser agendada com antecedência, pois é um parque estadual e possui limite de visitantes por dia (duas mil pessoas). O estacionamento fica na base do vulcão e os visitantes fazem uma trilha até o seu topo para desfrutar de uma vista privilegiada da cidade. Mas, isso tem um custo, são mais de 180 metros de altura de elevação por uma trilha que ziguezagueia pela encosta do vulcão num calor nordestino. Mas, a recompensa vale cada gota de suor.

Mahalo, Oahu!

Posfácio

No longo voo de volta, finalizei a leitura do livro de ficção científica “O problema dos três corpos”, de Cixin Liu — recomendo++ esta leitura para os amantes ou não de ficção. Ao subir o Diamond Head, deparei-me com uma escada que me fez lembrar de passagens do livro, em especial, a Base Costa Vermelha, na qual uma antena foi usada para a enviar o “primeiro grito da Terra que alcançou os ouvidos de um mundo extraterrestre”. Sinal que atingiu o sol e foi amplificada para o universo e que, certamente, chegou até o Havaí; um conjunto de ilhas isoladas no meio do pacífico, tão distante que possui seu próprio fuso horário e está a 3.900 km do continente.

“Sempre tive a impressão de que as melhores histórias da humanidade, as mais bonitas, não eram cantadas por bardos itinerantes, nem escritas por dramaturgos e romancistas, mas relatadas pela ciência.”

Cixin Liu

Defesa de Tese — Mariana Souza

Uma parceria que começou em 2015, com o Trabalho de Graduação do curso de Engenharia da Computação do CIn–UFPE, hoje (30/06/2023), teve mais um passo importante. Mariana Souza defendeu seu doutorado, na École de Technologie Supérieure (ETS), Montreal, Canadá, com o título: Local Pool Generation for Dynamic Ensemble Selection.

Mariana defendeu por artigos. Ou seja, sua tese foi composta pelos artigos publicados e submetidos durante o doutorado. Tais publicações formaram o cerne da tese, e mais dois capítulos no início (Introdução e Revisão da Literatura) e um capítulo no final (Conclusão) foram adicionados para dar coesão. A defesa por tese só foi possível porque as publicações compõem um caminho, uma história que pode ser encadeada e contada com uma estrutura lógica.

O fluxograma acima mostra a relação entre os capítulos e os artigos produzidos durante o doutorado de Mariana. Mais detalhes sobre as contribuições da tese podem ser acessados nesses links: Chapter 2, Chapter 3, Chapter 4 (paper under review), Appendix I, Appendix II, e Appendix III.

A banca foi formada por Robert Sabourin (orientador), por mim e por Rafael Cruz (co-orientadores), pelo presidente (Maarouf Saad) e pelos examinadores interno (Alessandro Koerich) e externo (Carlos Soares). Agradeço a parceria com Robert Sabourin (ETS) e com Rafael Cruz (ETS) na condução deste projeto de doutoramento.

Parabéns, Mariana! Orgulhe-se sempre que fizer algo incrível; hoje é um desses dias!

Com Mariana, agora são 19 alunos de doutorado formados; destes, 2 no Canadá. A jornada continua só no início!

Hamburgo, Alemanha (CHI’2023)

De 23 a 28 de abril de 2023, participei do ACM CHI Conference on Human Factors in Computing Systems que ocorreu na cidade de Hamburgo, no norte da Alemanha.

Esse foi o maior CHI (que ocorre desde 1982) em termos do número de participantes, contando com mais de 4600 (provenientes de 79 países), dos quais, 3888 estavam presentes no centro de convenções. A taxa de aceitação do evento foi de 27,6%, pois dos 3128 artigos submetidos, apenas 879 foram selecionados.

O CHI não limita o tamanho do artigo. Embora tenha artigos com mais de 20 páginas, em coluna dupla, acredito que o mais comum é o uso de 12-14 páginas. Isso trás um desafio para os que cuidam do processo de revisão dos artigos (chairs e revisores), pois precisam lidar com uma quantidade grande de grandes artigos. Esta liberdade tente a ser modificada já para o evento do ano seguinte que será em Vancouver.

Embora artigos possam ter mais de 20 páginas, o tempo alocado para cada apresentação é de, no máximo, 10 minutos. Isso força os autores a produzirem apresentações que incluam apenas o fundamental para “venderem” suas ideias e achados, deixando os detalhes escritos nos artigos. Assim, logo após uma introdução contextualizando o problema, os apresentadores já deixam claro seus principais takeaways e findings. Não há tempo a perder!

Foram muito atrativas as apresentações do CHI, pois não perde-se tempo com trivialidades e, de maneira geral, notava-se um cuidado, um esmero, um árduo trabalho em cada slide. Cada transição era pensada com a audiência em mente, com o intuito de melhor contemplar os caminhos fundamentais trilhados pela pesquisa. Claro que em muitos casos, fiquei com “gosto de quero mais”! Desejava mais detalhes que podem ser obtidos na arguição, em conversa com os autores ou na leitura do artigo.

Dica: ao apresentar um artigo num congresso, seu objetivo não é explicar todos os detalhes do artigo, e sim, despertar o interesse da audiência em ler o seu artigo.

Um evento científico fornece várias oportunidades, dentre as principais que guiam os pesquisadores, têm-se: publicar o artigo, apresentar o artigo e interagir com a comunidade. No estado atual da tecnologia, podemos publicar e apresentar o artigo virtualmente com qualidade, mas, ainda temos que percorrer anos-luz para atingirmos uma qualidade viável para efetivamente integrar pessoas em ambientes virtuais.

Inesperados eventos nos forçam a mudar; faz parte da natureza de estar vivo. Assim, mirando no futuro, mas com um olhar no que herdamos durante o período da pandemia, o CHI tornou-se um evento híbrido. Vale destacar que os artigos dos autores que não puderam estar pessoalmente em Hamburgo, foram adicionados ao programa do evento e marcados como apresentações on-line (os vídeos ficaram disponíveis no site do evento). Esta marcação ajuda a minimizar surpresas como as que ocorreram no AAAI’23, no qual a audiência era surpreendida com a informação de que o autor não estaria presente na sala e seria apresentado um vídeo ou estaria presente na ferramenta de videoconferência Zoom.

Outro ponto que me chamou a atenção, difere do que estou acostumado, diz respeito ao formalismo dos artigos. Nesta caso, a falta de formalismo matemático de boa parte dos artigos.

Hamburgo

Segunda maior cidade da Alemanha, com a população perto dos dois milhões de pessoas. Um dos maiores rios da Europa passa por Hamburgo antes de desembocar no mar no norte. O rio Elba abriga o terceiro maior porto da Europa.

No porto de Hamburgo, uma maneira de passar de uma margem para a outra do rio é utilizar um túnel (St. Pauli Elbe Tunnel) que foi inaugurado em 1911 (foto a seguir). O túnel possui incríveis 426 metros de comprimento e fica a uma profundidade que atinge mais de 23 metros.

Berlin

De trem, percorrer os aproximadamente 280 km entre Hamburgo e Berlin, demora em média duas horas. Berlin é incrível, monumental, recheada de história antiga e recente. Poucas cidades no mundo foram destruídas e reconstruídas com tanto esmero. 

Parte da história continua lá, nos mais diversos símbolos. Conhecer a faixa que dividiu a cidade por 28 anos, de 1961 até 1989, em duas partes, uma liderada pela antiga União Soviética e outra tutorada por franceses, ingleses e norte americanos, mostra que devemos ficar constantemente alertas e, também, que devemos nortear nossos movimentos na direção que dignifique a humanidade. O murro de Berlin, com ficou conhecido, foi finalmente destruído em 1989, e sua derrubada permitiu que familiares próximos, amigos que não se encontravam há anos, pudessem congregar, dar e receber um abraço. O murro, de fato, não era um murro. Era uma faixa, um corredor, que forçosamente garantia a separação desagregadora e só justificável na insanidade que emerge de fins políticos.

O Portão de Brandemburgo é um marco na cidade desde sua inauguração em 1791. O murro de Berlin passava as margens do portão que ficou localizado no lado leste do murro, do lado soviético.

Parques, monumentos, edifícios históricos, catedrais, pontes, igrejas, universidade, museus, parques,… têm-se muitas opções ao visitar esta bela cidade.

Washington, DC, USA (AAAI’2023)

A trigésima sétima AAAI Conference on Artificial Intelligence foi sediada na capital dos Estados Unidos da América, em Washington, DC, entre os dias 7 e 14 de fevereiro de 2023.

A conferência contou com mais de 4.200 participantes e mais de 1.700 artigos foram apresentados, englobando as mais diversas áreas de inteligência artificial (simbólica e conexionista). O Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco enviou uma comitiva com quatro professores ao evento. 

Da esquerda para a direita: Adiel, Leandro, eu e Teresa.

Todos os autores gravaram um vídeo com suas apresentações e a conferência seguiu o formato híbrido. Logo, caso o autor não estivesse presencialmente no evento, ele poderia apresentar via videoconferência; e, como último recurso, caso o autor não estivesse na plataforma virtual ou se a conexão não estivesse com boa qualidade, o chair da sessão colocaria o vídeo da apresentação. 

Estar num evento presencial excede as vantagens de estar em casa assistindo ao desdobramento das atividades do congresso. Ao participar de um evento fora da sua cidade, além da experiência de viver outras realidades, a imersão, estar longe das questões do dia a dia, facilita a interação e a discussão com outros pesquisadores. Neste sentido, o AAAI ainda está em processo de acomodação após anos em formato virtual por causa da pandemia. Acerca deste ponto reside minha principal queixa quanto ao evento: muitas apresentações foram realizadas usando a plataforma virtual ou por um vídeo previamente gravado, dando a impressão de estar assistindo ao youtube.  

Outra queixa é global, não apenas ao AAAI, e diz respeito ao cuidado (ou a falta dele) ao se preparar uma apresentação. Em alguns casos, o autor pouco se importava com a semântica, focando apenas no operacional. Um exemplo: ao contextualizar uma equação, uma definição, deve-se primeiro interpretá-la, explicá-la em alto nível. Só depois, deve-se para detalhar as variáveis, as partes constituintes. Em outros casos, os slides pareciam cópias mal feitas dos artigos; por vezes, slides ilegíveis da plateia com tabelas imensas ou com várias figuras pequenas, combinado com slides repletos de texto. O artigo e a apresentação são mídias diferentes com propósitos diferentes. O primeiro é um documento que deve ser entendido na ausência do autor. Já o segundo, é um guia para auxiliar o autor a expor de maneira clara o caminho que leva da concepção à conclusão do trabalho. 

Como ponto positivo, destaco a qualidade dos artigos selecionados pelo evento e, também, o rigoroso processo de seleção dos artigos. Os artigos que li, de maneira geral, são bem formatados e apresentam claramente suas contribuições perante a literatura da área. Ressalto ainda os palestrantes, pesquisadores de destaque que deram visões interessantes e inspiradoras de suas áreas.

A cidade

Washington, DC, é uma cidade para ser desfrutada a pé. Plana e com calçadas largas, convida os visitantes a caminhar e apreciar suas ruas, parques, praças, construções e monumentos. São muitas as atrações da cidade, mas, destaco os mais de setenta museus (voltarei de férias para visitá-los; tomara!).