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Rouen, França (missão científica, 2026)

Uma semana de setembro em Rouen. Não lembro exatamente quantas vezes já visitei esta cidade francesa. Mas, tenho duas certezas: a primeira visita foi em janeiro de 2018 e fui lá menos do que gostaria. Rouen é a maior cidade da Normandia, conta com uma rica história medieval e está próxima a Paris (cerca de 110 km de distância — menos de 1h30 de trem).

Fiquei numa casa na Rue Louis Malliot, 4, perto da estação central de trem de Rouen. O excelente anfitrião, receptividade exemplar, Alceu, está em um pos-doc que finalizará em dezembro. Ficamos lá, eu, Alceu e Luiz que chegou um dia depois de mim, tão objetivo quanto uma segunda-feira.

Rotina. Pela manhã: Je voudrais un croissant, un pain au chocolat, un pain aux raisins et un café, s’il vous plaît (foi “apenas” uma semana nesse regime). Depois, partida da Gare Beauvoisine até a Gare Technopôle (em frente ao campus da universidade na cidade de Saint-Étienne-du-Rouvray). Reuniões, discussões e apresentações até o final da tarde na universidade nesse último ano de Laurent Heutte como diretor do Litis.

Coincidências: lá na universidade encontrei Rafael Holanda (aluno de Carmelo) que iniciava naquela semana um período sanduíche do seu doutorado com Fannia. Mais uma: Flavio (Arthur), professor do CIn, e sua esposa faziam uma visita científica a convite do professor Alessandro Leite no INSA/Rouen na mesma semana. Small world, indeed!

Reunião em Honfleur

Desta vez, pouca chuva — na realidade só choveu em um dia —, temperatura agradável e em alguns dias, ficou até quente com céu azul.

Misto de sensações ao tomar uma cerveja ambrée em uma cervejaria artesanal instalada em uma antiga, bela e grande igreja que foi desacralizada em 2017 pela Igreja Católica. Essa era a antiga Igreja de Saint-Nicaise e teve suas origens no século VII; fundada em 640 como capela.

Andar pelas ruas de Rouen é um deleite para os olhos. Por momentos somos transportados para o passado guiado pelas construções características da Normandia que usam a técnica enxaimel; casas com madeira aparente. Em algumas dessas construções, vê-se que a base é mais estreita do que a parte superior (maisons à encorbellement). Esta discrepância era proposital, pois calculava-se o imposto da propriedade pela área ocupada no solo.

Na sexta, o espetáculo de luzes (Cathédrale de Lumière) na Catedral de Rouen, finalizou com maestria o último dia da minha visita. As pessoas aglomeram-se ordeira e silenciosamente à frente da catedral do século 12 para apreciar um show de imagens às 21h30.

Voltando de Rouen, passando pela Gare Saint-Lazare e chegando a Gare du Nord em Paris, escuto, ao longe, um som harmônico e, ao chegar no hall central da estação, encontro uma orquestra com mais de vinte músicos tocando instrumentos de sopro. Fico mais de vinte minutos apreciando o concerto. E não estou sozinho, muitos que estão chegando ou partindo param e contemplam. Não é mais do mesmo. Muito pelo contrário. Mas, deveria ser algo menos raro? Torço que sim!

Merci à tous!

Omaha Beach, França (2018)

As tropas aliadas foram divididas em cinco setores quando do desembarque na costa da Normandia no dia D da segunda grande guerra. Um desses setores foi centrado na Omaha Beach. Tomar esse setor era responsabilidade do exército americano com a ajuda de ingleses, de canadenses e de franceses.

2018-les-braves(Monument Les Braves — Omaha Beach)

Na areia da praia avista-se um monumento, Les Braves, em homenagem aos mortos durante a batalha. Monumentos reavivam a memória. São marcas palpáveis e visíveis que despertam os olhares mais distraídos. Monumentos não deixam a história se desvanecer. Por que esse monumento está aqui? O que ele representa? Quem o colocou aqui? Monumentos despertam questionamentos que nos transportam no tempo e que nos fazem pensar “e se” as circunstâncias fossem outras, pensar em como transcender instruído pelo legado.

A algumas centenas de metros do monumento Les Braves, repousa um memorial-cemitério (Cimetière américain de Colleville-sur-Mer) com centenas de cruzes brancas em homenagem aos norte-americanos mortos durante a reocupação. Esse cemitério é território americano cedido pelos franceses aos Estados Unidos.

Estamos fadados a errar, mas ignorar é uma escolha.

Rouen, França (2018)

Nesses dias de janeiro, com temperatura máxima de dez graus celsius, conheci a bela e antiga cidade de Rouen, maior cidade da Normandia com cento e dez mil habitantes. Cidade medieval às margens do rio Sena, com várias e lindas igrejas góticas. A maior e mais imponente delas é a Catedral Notre-Dame de Rouen. Nessa catedral está a tumba com o coração de Ricardo Coração de Leão que foi rei da Inglaterra e duque da Normandia em 1189.

(Catedral Notre-Dame de Rouen)

 Joana d’Arc foi queimada em Rouen, em 1431. Ela foi declarada santa em 1920 pelo Papa Bento XV. Uma das capelas que compõem a catedral de Rouen é dedicada à ela.

(foto tirada em uma das paredes da cidade histórica de Rouen)

No centro antigo da cidade, a arquitetura das casas deve ser apreciada. Suas fachadas são emolduradas com madeira e os vãos preenchidos com barro. Essa composição e as cores dão um ar medieval à cidade, em especial, quando a cidade é açoitada por uma neblina gelada.

A história não está apenas nos livros, está viva nas ruas de Rouen. O Palais de Justice (foto a seguir), no centro de Rouen, ainda mostra as marcas da segunda grande guerra. Buracos de balas são cicatrizes que descansam em suas paredes e não nos deixam esquecer a dispensabilidade de uma guerra.

Cemitério, peste negra.

Étretat, França (2018)

Foi nessa praia que Claude Monet pintou alguns quadros enquanto passava férias às margens do Canal da Mancha na cidade de Étretat no final do século XIX. A cidade fica num vale, cercada de lindas falésias que inspiraram o pintor francês.

A praia de Etretat nos oferece, além de um visual exuberante, uma sonoridade ímpar, pois a camada superficial de sua praia, ao invés de areia, como estou acostumado, é formada por pedras (galet). Sim, é uma praia na qual você não precisa se preocupar em ficar com os pés e parte das pernas cobertos de areia ao sair da água. Essas pedras produzem um hipnotizante som ao sabor das ondas. Após arrebentar na praia, cada onda retorna ao mar e as inúmeras pedras se chocam umas contras as outras. A harmonia dessa sinfônica formada pelas ondas, pelo vento e pelas pedras é inebriante.