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Pertencimento

(07 de setembro de 2015) Nesse feriado, fomos todos para Macaparana-PE, minha cidade natal, distante 120 km de Recife. Cidade de uma beleza que emerge da nostalgia, do pertencimento, do postar-se à mesa, sempre farta e bem ocupada, e comer uma canjica com café, uma cocada olhando a caramboleira. Quando dobro para a esquerda, saio da br408 e adentro na pe089, logo após a cidade de Timbaúba (foto a seguir), sinto que cheguei. Cheguei onde o tempo não corre, anda.

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Cidade simples, com ares de tranquilidade e, quase sempre, verde, como mostra a foto a seguir tirada dos fundos da casa de vovó.

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São muitas as lembranças, sejam elas simples ou complexas, nítidas ou translúcidas. Tão simples como um dispositivo, normalmente feito de madeira, que serve tanto para escancarar quanto para delimitar: a tramela. De tantas lembranças, enxergo esse tipo de fechadura com nitidez dos tempos da minha infância. Lembro das tramelas acopladas às portas de duas partes (uma superior e outra inferior) que definem muito bem as moradias do interior do interior. Porta nem aberta nem fechada, comumente escancarada na sua parte superior e tramelada na parte inferior; servindo às novidades, de fora para dentro, e a visão do firmamento, de dentro para fora.

Seguimos “tramelando” caminhos bifurcados, criando passagens secretas ou públicas entre pontos desencontrados. Algumas passagens são tão pacificadoras como contemplar o silêncio, outras tão ricas quanto subir numa árvore pela primeira vez. Mesmo que não seja em busca de frutas. Desde que seja na frente da casa da bisavó, ou da avó, como fiz tantas vezes no “pé-de-figo” na frente da casa central do “sítio cajá”.

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Mais do mesmo, e mesmo assim fundamental, é perceber que o significado dos eventos que vivemos, a importância desses eventos, é função não apenas do evento, mas, principalmente, de quem os vive e com quem esses eventos são compartilhados. Por isso é tão pessoal.  Por isso é tão especial.

1500 mestres

Ocorreu hoje, 19/agosto/2015, a inauguração do novo prédio do CIn, e contou com a presença (da direita para a esquerda na foto abaixo) de: André Santos (diretor do CIn), Amaro Lins (Secretário de Educação Superior – MEC/SESU), Sérgio Cavalcante (CEO/Cesar), Hermano Moura (Pró-reitor/UFPE), Virgílio Almeida (secretário de política de informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação-MCTI), Anísio Brasileiro (reitor/UFPE), Lúcia Melo (secretária de ciência, tecnologia e inovação do governo de Pernambuco), Paulo Cunha (diretor científico da FACEPE) e Roseana Amorim (secretária de Desenvolvimento e Empreendedorismo da Prefeitura do Recife).

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Durante o evento, ou melhor, antes do evento começar, os arredores do CIn foram tomados por servidores protestando por atraso nos seus salários. Muitos professores, reitor, vice-reitor, ex-reitor, pró-reitores, e muitas personalizadas estavam presentes no evento de inauguração que decorreu, não tranquilamente, com o barulho que vinha do protesto. Escutava-se claramente as frases do protesto, pois o ambiente tem um alto pé-direito que é vazado a partir dos dois metros de altura até o teto.

Durante o evento, placas referentes à defesa de mestrado número 1500 do CIn foram dadas para meu aluno de mestrado, Henrique Dantas, e para mim.

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O mestrado em Ciência da Computação da UFPE iniciou suas atividades em 1974. Defendi minha dissertação de mestrado, em 2001, e foi a dissertação número 273 do CIn. E em, 2015, ocorreu a defesa número 1500.

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Em seu mestrado, Henrique propôs de um modelo de aprendizagem de máquina com o objetivo de predizer os movimentos da mão com informações extraídas de sensores colocados no cérebro do usuário. Esse trabalho foi realizado em parceria com o prof. V. John Mathews (University of Oregon) e o prof. Spencer Kellis (Caltech).

Sobre

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George Darmiton da Cunha Cavalcanti, 51, casado com Alba e pai de Heitor. Professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco desde 2005. Pesquisador nas áreas de Inteligência Artificial, Aprendizagem de Máquina, Reconhecimento de Padrões e Visão Computacional.

Escrevo para expressar o que sinto, o que penso, e num processo recursivo tentar entender a mim mesmo, entender o ambiente ao qual pertenço. Expressar em palavras as ideias que nos definem é um desafio que não cobro constância, mas satisfação. Ao contrário do meu dia a dia como pesquisador e autor de artigos científicos nos quais precisão, não ambiguidade, clareza e concisão são mandatórios, nos posts desse blog tenho a liberdade que desejo ausente nos meus artigos científicos.

No amálgama do passar das horas, lazer, hobbies e trabalho muitas vezes se confundem, mas, viajar, pesquisar, ler, escrever, treinar e “familiar” são norteadores.