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O infinito em 64 KBytes

Esqueça a teoria de informação de Claude Shannon, pois o INFINITO cabe em 64 kilobytes. Essa é a quantidade de memória RAM (randomaccess memory) do meu primeiro computador: um CP400 color da Prológica de 8 bits.

Em termos de comparação, suponha que uma fotografia, armazenada no seu smartphone, tenha, aproximadamente, três megabytes. Logo, para armazenar uma única fotografia, precisaríamos juntar as memórias de 48 desses computadores (CP400). Nota: o primeiro computador com HD (link) tinha 5 megabytes e custou 35 mil dólares, ou seja, era capaz de guardar menos do que duas dessas fotografias.

Ganhei o CP400 dos meus pais quando tinha uns 10 anos. Esse foi o meu portal mágico para o mundo da computação digital. Para ligar esse computador, que mais parecia um teclado grande, era preciso um ritual: conectá-lo à televisão e aguardar o cursor do prompt piscar.

Esses computadores não tinham memória de longo prazo. Logo, ao desligá-lo, todo o trabalho era perdido. Para sanar esse processo recursivo de escrever todo dia o mesmo código, era preciso gravar o programa em fita cassete. Na época, passei a usar um gravador de fita cassete da Sharp: o HotBit HB-2400. Desnecessário dizer que paciência seria a palavra de ordem, se tívessemos consciência do poder de um futuro computador de mão, também conhecido por smartphone.

Falando em programa, minha primeira linguagem de programação foi BASIC (beginner’s all-purpose symbolic instruction code). Foi com essa linguagem que comecei a “engatinhar” no mundo algorítmico dos códigos-fonte. Cada comando numa linha numerada: “10 REM”, “50 PRINT x”, “110 GOTO 30”. Naquela época era impossível suspeitar que aprenderia outras dezenas de linguagens de programação.

É, de fato, curioso olhar por sobre os ombros e perceber que um incêndio começa com uma pequena fagulha. Comparo o maravilhoso ato dos meus pais, de me presentear com esse computador, com o alvorecer de uma pesquisa básica. Ao iniciá-la, vislumbramos um caminho promissor, mesmo que não se enxergue claramente os fins. Isso só é conseguido por visionários. Os dois mais notáveis visionários que conheço brindaram-me com um CP400.

Defesa de dissertação — Felipe Walmsley

A defesa de mestrado de Felipe Nunes Walmsley ocorreu no Centro de Informática da UFPE em 22 de janeiro de 2020. “An Investigation into the Effects of Label Noise on Dynamic Selection Algorithms” foi o título da sua dissertação sob minha orientação e com co-orientação do prof. Robert Sabourin (ETS/Canadá).

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A foto mostra a composição da banca formada por mim e pelos professores:

  • Tsang Ing Ren (CIn-UFPE);
  • Rafael Ferreira (UFRPE);
  • Robert Sabourin (ETS/Canadá).

Uma primeira contribuição do mestrado foi publicado no IJCNN:

Felipe N. Walmsley, George D.C. Cavalcanti, Dayvid V.R. Oliveira, Rafael M.O. Cruz, Robert Sabourin. An Ensemble Generation Method Based on Instance Hardness. International Joint Conference on Neural Networks (IJCNN), Rio de Janeiro, 2018.

 

Sobre

2014-mulharas-da-chinaGeorge Darmiton da Cunha Cavalcanti, 45, casado com Alba e pai de Heitor. Professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco desde 2005. Pesquisador nas áreas de Inteligência Artificial, Aprendizagem de Máquina, Reconhecimento de Padrões e Visão Computacional.

Escrevo para expressar o que sinto, o que penso, e num processo recursivo tentar entender a mim mesmo, entender o ambiente ao qual pertenço. Expressar em palavras as ideias que nos definem é um desafio que não cobro constância, mas satisfação. Ao contrário do meu dia a dia como pesquisador e autor de artigos científicos nos quais precisão, não ambiguidade, clareza e concisão são mandatórios, nos posts desse blog tenho a liberdade que desejo ausente nos meus artigos científicos.

No amálgama do passar das horas, lazer, hobbies e trabalho muitas vezes se confundem, mas, viajar, pesquisar, ler, escrever, treinar e “familiar” são norteadores.