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Defesa de Tese — Cynthia

Nesses meus 20 anos como docente do CIn, nada mais gratificante do que no Dia do Professor (15/outubro/2025) formar uma doutora. Cynthia defendeu sua tese com o seguinte título: On Multi-Label Meta-Learning for Automated Pipeline Recommendation. Lá se vão 26 orientações (sendo sete mulheres, mais de um quarto) e co-orientações de doutorado! Time flies much faster than we can realize, indeed!

Falando em tempo, quanto tempo é necessário para se formar um(a) doutor(a)? Provavelmente, a maioria dirá 4 anos; alguns 3, outros 5. A formação de um doutor não se mede por tempo. A moeda de troca deve ser outra. Amadurecimento! Deseja-se que o doutorando seja transformado pelo processo e adquira várias competências que serão forjadas ao longo dos meses de interação com o orientador e de leitura de artigos científicos.

Por esse motivo, alguns finalizam mais cedo, outros mais tarde, pois temos muitas variáveis em jogo, tais como: background de cada um, tema escolhido, definição das perguntas de pesquisa e execução das tarefas.

Importante e relevante que o processo formativo elucide as bases científicas para que o recém doutor consiga fazer pesquisa de alto nível de maneira independente e, também, seja capaz de formar a próxima geração de pesquisadores. Esses alvos (capacidade de realizar pesquisa de alto nível e formação da nova geração de pesquisadores) devem ser inegociáveis.

Parabéns, Cynthia, pela excelente defesa! Feliz em fazer parte desse seu processo de amadurecimento!

Mais detalhes sobre o tópico da tese podem ser acessamos nos seguintes artigos:

  • Cynthia M. Maia, Lucas B. V. de Amorim, George D. C. Cavalcanti, Rafael M. O. Cruz. MetaML: A Multi-Label Meta-Learning Approach for Pipeline Recommendation. Machine Learning. (soon)
  • Cynthia M. Maia, Lucas B. V. de Amorim, George D. C. Cavalcanti, Rafael M. O. Cruz. PIPES: A Meta-dataset of Machine Learning Pipelines. International Joint Conference on Neural Networks (IJCNN), 2025.

A banca foi formada pelos seguintes professores:

  • Sylvio Barbon Junior (University of Trieste, Italy);
  • Alceu de Souza Brito Junior (PUC/PR);
  • Rafael Gomes Mantovani (UTFPR);
  • Adiel Filho (CIn-UFPE);
  • Tsang Ing Ren (CIn-UFPE).

Nesse processo de formação tenho muita gente a agradecer. Representando esse grande grupo destaco Rafael Cruz (co-orientador), sempre em busca da excelência, e Lucas Amorim que participou ativamente com ideias, encorajamento e mão-na-massa.

O infinito em 64 KBytes

Esqueça a teoria de informação de Claude Shannon, pois o INFINITO cabe em 64 kilobytes. Essa é a quantidade de memória RAM (randomaccess memory) do meu primeiro computador: um CP400 color da Prológica de 8 bits.

Em termos de comparação, suponha que uma fotografia, armazenada no seu smartphone, tenha, aproximadamente, três megabytes. Logo, para armazenar uma única fotografia, precisaríamos juntar as memórias de 48 desses computadores (CP400). Nota: o primeiro computador com HD (link) tinha 5 megabytes e custou 35 mil dólares, ou seja, era capaz de guardar menos do que duas dessas fotografias.

Ganhei o CP400 dos meus pais quando tinha uns 10 anos. Esse foi o meu portal mágico para o mundo da computação digital. Para ligar esse computador, que mais parecia um teclado grande, era preciso um ritual: conectá-lo à televisão e aguardar o cursor do prompt piscar.

Esses computadores não tinham memória de longo prazo. Logo, ao desligá-lo, todo o trabalho era perdido. Para sanar esse processo recursivo de escrever todo dia o mesmo código, era preciso gravar o programa em fita cassete. Na época, passei a usar um gravador de fita cassete da Sharp: o HotBit HB-2400. Desnecessário dizer que paciência seria a palavra de ordem, se tívessemos consciência do poder de um futuro computador de mão, também conhecido por smartphone.

Falando em programa, minha primeira linguagem de programação foi BASIC (beginner’s all-purpose symbolic instruction code). Foi com essa linguagem que comecei a “engatinhar” no mundo algorítmico dos códigos-fonte. Cada comando numa linha numerada: “10 REM”, “50 PRINT x”, “110 GOTO 30”. Naquela época era impossível suspeitar que aprenderia outras dezenas de linguagens de programação.

É, de fato, curioso olhar por sobre os ombros e perceber que um incêndio começa com uma pequena fagulha. Comparo o maravilhoso ato dos meus pais, de me presentear com esse computador, com o alvorecer de uma pesquisa básica. Ao iniciá-la, vislumbramos um caminho promissor, mesmo que não se enxergue claramente os fins. Isso só é conseguido por visionários. Os dois mais notáveis visionários que conheço brindaram-me com um CP400.

Defesa de dissertação — Felipe Walmsley

A defesa de mestrado de Felipe Nunes Walmsley ocorreu no Centro de Informática da UFPE em 22 de janeiro de 2020. “An Investigation into the Effects of Label Noise on Dynamic Selection Algorithms” foi o título da sua dissertação sob minha orientação e com co-orientação do prof. Robert Sabourin (ETS/Canadá).

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A foto mostra a composição da banca formada por mim e pelos professores:

  • Tsang Ing Ren (CIn-UFPE);
  • Rafael Ferreira (UFRPE);
  • Robert Sabourin (ETS/Canadá).

Uma primeira contribuição do mestrado foi publicado no IJCNN:

Felipe N. Walmsley, George D.C. Cavalcanti, Dayvid V.R. Oliveira, Rafael M.O. Cruz, Robert Sabourin. An Ensemble Generation Method Based on Instance Hardness. International Joint Conference on Neural Networks (IJCNN), Rio de Janeiro, 2018.

 

Sobre

2014-mulharas-da-chinaGeorge Darmiton da Cunha Cavalcanti, 50, casado com Alba e pai de Heitor. Professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco desde 2005. Pesquisador nas áreas de Inteligência Artificial, Aprendizagem de Máquina, Reconhecimento de Padrões e Visão Computacional.

Escrevo para expressar o que sinto, o que penso, e num processo recursivo tentar entender a mim mesmo, entender o ambiente ao qual pertenço. Expressar em palavras as ideias que nos definem é um desafio que não cobro constância, mas satisfação. Ao contrário do meu dia a dia como pesquisador e autor de artigos científicos nos quais precisão, não ambiguidade, clareza e concisão são mandatórios, nos posts desse blog tenho a liberdade que desejo ausente nos meus artigos científicos.

No amálgama do passar das horas, lazer, hobbies e trabalho muitas vezes se confundem, mas, viajar, pesquisar, ler, escrever, treinar e “familiar” são norteadores.